Adeus Mário Soares
10-01-2017 19:22

Gostaria de começar com uma frase de Pascal :“O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros felizes”. Mário Soares conseguiu tornar um povo que vivia sob as amarras ditatoriais salazaristas num povo livre e feliz. Esta é, na minha opinião,a frase que resume a vida de Mário Soares! Graças a Soares, hoje vivemos num Portugal livre.
Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu a 7 de dezembro de 1924 em Lisboa, filho de Elisa Nobre Soares e de João Lopes Soares.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa em 1951 e passados 6 anos, licenciou-se em Direito na mesma universidade. Exerceu advocacia durante muitos anos, sendo, talvez, o caso mais emblemático, o da sua representação da família de Humberto Delgado na investigação do seu alegado assassinato.
Era um homem dotado de uma enorme determinação e coragem, como podemos observar pela sua forte oposição à ditadura salazarista. Foi preso 12 vezes, deportado sem julgamento para a ilha de São Tomé e, mais tarde, no governo de Marcelo Caetano, foi permitido o exílio em França.
No dia 19 de abril de 1973 ainda exilado, funda o Partido Socialista.
A 28 de Abril de 1974, ou seja, 3 dias depois da revolução, Mário Soares regressa a Portugal no “Comboio da Liberdade”.
Depois de 1974, foi Ministro, 3 vezes Primeiro-Ministro, deputado europeu e cumpriu dois mandatos como Presidente da República. Posto isto, nenhuma figura é tão marcante como Mário Soares. Ganhou e perdeu eleições, mas nunca desistiu de dar o seu grande contributo ao serviço de Portugal. Dizia Mário Soares, só é derrotado quem desiste de lutar.
Devemos-lhe ainda a adesão à Comunidade Europeia, trazendo assim um desenvolvimento importantíssimo para o futuro de Portugal. Devemos, igualmente, a Liberdade, a Democracia, a Paz, Solidariedade, Igualdade e Justiça, valores pelos quais sempre lutou.
Para terminar deixo um poema de Joaquim Namorado:
PROMETEU
Abafai meus gritos com mordaças,
maior será a minha ânsia de gritá-los!
Amarrai meus pulsos com grilhões,
maior será minha ânsia de quebrá-los!
Rasgai a minha carne!
Triturai os meus ossos!
O meu sangue será a minha bandeira
e meus ossos o cimento duma outra humanidade.
Que aqui ninguém se entrega
- isto é vencer ou morrer -
é na vida que se perde
que há mais ânsia de viver!
OBRIGADO MÁRIO SOARES!
Da autoria de Manuel de Castro Coelho